22 de junho de 2010

Constantin Brancusi


Solitário, no seu poeirento ateliê parisiense, o romeno Constantin Brancusi (1876 - 1957) - persuadido de que "não é real a forma exterior, e sim a essência das coisas" - cria formas simples, claras e absolutas; formas primordiais, abstratas, reduzindo as suas esculturas ao mais básico, emprestando-lhes uma vitalidade rudimentar. 
Este artista teve um influência extraordinária na escultura e arte abstrata em geral do século XX. A grandiosidade simples das suas obras provoca uma sensação de liberdade e de força. Abstraída ao máximo, investida de um rigor plástico inédito, permanece ainda a imagem do Homem em Brancusi. E a sua famosa fauna - pássaro, foca, galo - glorifica exatamente o poder poético da consciência moderna e sua vocação para o essencial e o substantivo.


 Brancusi em seu ateliê


BRANCUSI, Constantin
ateliê,  1925,
Foto: Brancusi.


 BRANCUSI, Constantin, Colonne sans fin,
Tirgu Jiu , 
Roumanie, bronze,1937-38
 BRANCUSI, Constantin, Colonne sans fin,
Tirgu Jiu , 
Roumanie, bronze,1937-38


The Sleeping Muse, c. 1910
Dallas Museum of Art, Texas


Prometheus, 1911
Polished bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden,
Washington D.C.


 Three Penguins, 1911-12
White marble
Philadelphia Museum of Art


Mlle Pogany. version I, 1913
Bronze with black patina
The Museum of Modern Art, New York City



Danaïde, 1913
Kunstmuseum Winterthur, Switzerland


  
 The Kiss, 1916
Limestone
Philadelphia Museum of Art



A Muse, 1918
Bronze with stone base
Portland Art Museum, Oregon



Beginning of the World, c. 1920
Marble, metal, and stone
Dallas Museum of Art, Texas



Sculpture for the Blind [I], c. 1920
Philadelphia Museum of Art

Bird in Space (L’Oiseau dans l’espace), 1932-1940
Peggy Guggenheim Collection, New York City



The beginning of the world, 1924
Bronze
Kröller-Müller Museum, Otterlo, Netherlands


Fish. Paris 1930
Blue-gray marble
The Museum of Modern Art, New York City



King of Kings, ca. 1938
Solomon R. Guggenheim Museum,
New York City



Bibliografia consultada:
PISCHEL, Gina. História Universal da Arte - 3


21 de junho de 2010

Alberto Giacometti

Artista plástico, escultor e pintor suíço nascido em Borgonovo, (Borgonovo di Stampa, 10 de outubro de 1901Coira, 11 de janeiro de 1966)  bem perto da fronteira com a Itália, o mais famoso nome dentre os escultores surrealistas, criador de uma obra plástica que percorreu a escultura, a pintura e a cenografia, sempre mais próximo dos cubistas e dos pós-cubistas. Filho de um pintor pós-impressionista, Giovanni Giacometti, que o estimulou em sua inclinação para as artes e o matriculou na Escola de Artes e Ofícios de Genebra. Mudou-se para Paris (1922) onde estudou cerca de cinco anos com Émile-Antoine Bourdelle. A semelhança com objetos reais desapareceu de sua obra (1925-1929).

No início da década seguinte acabou por adotar uma estética surrealista e passou a idealizar suas esculturas-objetos. Rompeu com o surrealismo (1935) e começou a se concentrar em obras baseadas em modelos humanos. Durante a Segunda Guerra Mundial, refugiou-se e conheceu sua futura esposa com quem se casaria em 1949, e seguiria a fase mais produtiva de sua carreira. Depois da guerra (1947), adotou um estilo que o tornou famoso, de figuras magras, alongadas e afiladas, e esculpindo a maioria das obras dessa fase em miniaturas. Também escreveu versos, e passou a dedicar-se também à pintura (1947). 
O trabalho do artista tem sido visto frequentemente como uma interpretação da filosofia existencialista pós-Segunda Guerra Mundial. Isto se deve em grande parte à sua amizade com o filósofo Jean-Paul Sartre. Apesar de ser conhecido sobretudo por suas esculturas, ele produziu desenhos e pinturas durante toda a sua vida.
Os trabalhos bidimensionais do artista se caracterizam por traços rápidos, enroscados, contínuos, de temas figurativos.



Spoon Woman, 1926; cast 1954
Bronze
Solomon R. Guggenheim Museum, New York City



Reclining Woman Who Dreams, 1929 /cast 1959-60
Painted bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.




Woman Walking (Femme qui marche), 1932
Plaster and iron wire
150 cm high, including base
Peggy Guggenheim Collection, New York City



 Hands Holding the Void (Invisible Object), 1934 /cast c. 1954-55
Bronze
Museum of Modern Art, New York City



Head of Isabel, 1936 /cast ca: 1950-1959
Terracotta
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.




Standing Woman (“Leoni”) (Femme debout [“Leoni”]), 
1947 (cast November 1957)
Bronze



Piazza, 1947-1948 (cast 1948-49)
Bronze
Peggy Guggenheim Collection, New York City



 Walking Man II, 1948
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden,
Washington D.C.


Three Men Walking, 1948-1949
Bronze
Dallas Museum of Art, Texas

 


Three Men Walking II, 1949
Bronze
The Metropolitan Museum of Art, New York City



City Square: Three Figures And A Head (La Place: 
Trois Figures Et Une Tête), 1950
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.



Dog, 1951/ cast 1957)
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.



Seated Woman, 1956 /cast 1957)
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.



Bust of Diego on a Stele II, 1958
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.



Tall Figure IV, 1960
Bronze, Edition of 6, Cast No. 1
Norton Simon Museum, Pasadena, California



Standing Woman, 1961
Bronze
Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.


 Autorretrato

20 de junho de 2010

Henry Moore

Figura central na história da escultura moderna, Henry Moore foi classificado por alguns como último dos antigos e por outros como o primeiro dos novos.Atravessou o século XX fazendo a ligação entre rural e urbano, figurativo e abstrato, orgânico e manufaturado. Seu trabalho foi sempre humano na escala, ainda que monumental no tamanho foi sempre humano na escala, ainda que era grandioso e abertamente realista, agradou o público do mundo inteiro.
No começo de sua carreira, Moore trabalhou principalmente com entalhes, tanto em madeira como em pedra, para os quais desenhava esboços em papel. Para o artista, a necessidade de envolver-se diretamente com a madeira ou a pedra, respeitando o caráter particular de cada material em vez de tentar faze-lo parecer outra coisa, era de extrema importância. Em 1934 ele escreveu que “O material participa da formação de uma idéia apenas e tão-somente quando o escultor trabalha em contato direto e se relaciona ativamente com ele. A pedra, por exemplo, que é dura e concentrada, não deve ser modificada para ganhar aspecto de pele macia – não deve ser forçada, para além da sua estrutura, até um ponto de fraqueza. Ela deve conservar sua ‘pedritude’, sólida e tensa”.

Alguns anos mais tarde, ao produzir uma cavidade na peça esculpida, o artista descobriu ser possível conseguir uma tridimensionalidade ainda maior, sem enfraquecer o material – recurso que adotaria de inúmeras formas durante toda a sua carreira. A cavidade pode dar vida aos espaços interiores da escultura e ressaltar o papel do espaço vazio na valorização da forma, algumas vezes ele é usado para desdobrar a figura humana e quebrar a sua simetria, acrescentando um elemento surpresa à fruição do observador.
Quando, por volta de 1935, suas obras começaram a se tornar cada vez maiores, Moore passou a fazer estudos pequenos, preliminares, em três dimensões: as maquetes. Várias vezes explicou que a maquete permitia estudar a forma nas suas mãos, compreende-la como um todo, de vários ângulos, e visualizar como seria a obra em tamanho real.
No pós-guerra, as maquetes passaram a ser utilizadas como modelos também para os grandes bronzes. Nessa época Moore deixou de fazer desenhos preparatórios para suas esculturas, embora as peças tridimensionais e a produção em papel tenham muitos elementos em comum. Freqüentemente é possível acompanhar uma idéiadesde o desenho ou a gravura até a escultura, ou da escultura, no caminho inverso, até uma série de trabalhos desenvolvidos em papel.
Moore Desenhou durante toda a vida, primeiramente como um método de desenvolver idéias para esculturas e, depois, por puro diletantismo e para realizar experiências com água-forte e litografia. Suas monumentais esculturas em bronze são bem conhecidas, com diversos exemplares integrando coleções públicas por todo o mundo, enquanto os desenhos, gravuras, entalhes e maquetes são talvez menos familiares para o público brasileiro.

Moore era um homem quieto e despretensioso, sempre muito apegado aos seus ateliês. Viajava pouco, e quando o fazia era por motivos profissionais. A II Bienal de São Paulo trouxe-o ao Brasil para uma primeira e única visita, numa experiência que ele costumava relembrar com carinho.
O entusiasmo pelo trabalho de Moore segue inabalável em todo o mundo – um interesse que, na verdade, parece ter aumentado nos anos posteriores à sua morte. A razão disso é avaliar. Provavelmente tem algo a ver com a universalidade de seu imaginário e com o seu foco na síntese  das formas humanas da natureza.


Family Group - 1948/9
Bronze
Henry Moore Foundation

Reclining Figure - 1951
Bronze
106.00 x 228.60 x 73.70 cm
National Galleries of Scotland, Edinburgh


Draped Reclining Figure - 1952-53
Bronze
102 x 152 cm
Museum Ludwig, Cologne


King and Queen - 1952-53
Bronze
Keswick, Dumfrieshire, Henri Moore Foundation


 Three Standing Figures - 1953
Bronze
73.2 x 68 x 29 cm, including base
Guggenheim Museum, New York


Maquette for "Atom Piece" - 1964, cast 1970
Bronze
The National Gallery of Art, Washington D.C.


Vertebrae - 1968
Bronze
7.1 m (23 ft 4 in)
The Israel Museum, Jerusalem

Two Piece Mirror Knife Edge - 1976-1977
Bronze
The National Gallery of Art, Washington D.C.


Reclining Figure: Angles - 1979
Bronze
Henry Moore Foundation


1898 – Henry Moore nasce em 30 de julho em Castleford, no condado de Yokshire.
1919-20 – Matricula-se na Leeds School of Art.
1921 – Recebe bolsa de estudos para o curso de escultura no Royal College of Art, em Londres Passa a freqüentar o British Museum.
1922 – Interessa-se pelo entalhe e pelo trabalho de Gaudier-Brzeska e Brancusi. Faz suas primeiras esculturas.
1924 – Assume o cargo de professor no departamento de escultura do Royal College of Art, onde viria a lecionar por sete anos.
1925 – Com a bolsa de estudos, viaja à Itália, passando por Paris.
1927 – Executa vários trabalhos importantes em concreto moldado.
1928 – Primeira exposição individual, na Warren Gallery, em Londes.
1930 – Representa a Grã-Bretanha na Bienal de Veneza (com Jocob Epstein e John Skeaping).
1931 – Demite-se de seu cargo de professor do Royal College of Art. Passa a chefiar o novo departamento de esculturas na Chelsea School of Art.
1933 – Integra o grupo Unit One, de artistas de vanguarda, em Londres.
1934 – Herbert Read escreve e publica uma primeira monografia sobre sua obra.
1935 – Esculpe várias obras ao ar livre. Em vista das dimensões crescentes de suas obras, passa a trabalhar com esboços tridimensionais em escalas reduzidas, as maquetes.
1937 – Dá início a uma série de figuras com barbante inspiradas nos modelos matemáticos expostos no Science Museu, em Londres.
1939 – Executa sua primeira Litogravura.
1940 – Inicia a série Abrigo, de desenhos de figuras no metrô de Londres.
1946 – Viaja a Nova York, para acompanhar uma retrospectiva itinerante que é inaugurada no Museum of Modern Art.
1948 – Viaja a Veneza por ocasião da mostra individual no Pavilhão Britânico da XXIV Bienal, na qual recebe o Prêmio Internacional de Escultura.
1951 – Primeira Retrospectiva na Tate Gallery, em Londres.
1952 – Fase de intensa atividade escultórica: produz uma série de figuras em pé, formas internas/externas e relevos.
1953 – Participa da II Bienal de São Paulo e recebe o Prêmio de Escultura Internacional.
1957 – concebe várias figuras grandes da série Mulheres Sentadas e Reclinadas.
1959 – Leva exposições itinerantes à Espanha, Japão, Portugal e paises do Leste Europeu.
1960 – Começa a trabalhar em uma série de figuras reclinadas em duas peças.
1966 – Executa numerosos desenhos, águas-fortes e litogravuras.
1968 – Mostra retrospectiva comemora o 70º aniversário de Henry Moore na Tate Gallery.
1969 – O crânio de elefante com que é presenteado serve de inspiração para extensas séries de águas-fortes.
1974 – Viaja ao Canadá para a inauguração do Henry Moore Sculpture Centre na Art Gallery of Onorato, em Toronto.
1977 – Inaugura a Fundação Henry Moore.
1978 – O 80º aniversário é comemorado com exposições na Tate Gallery e na Serpentine Gallery, em Londres, e na City Art Gallery, de Bradford.
1979 – Depois de diagnosticado artritismo em suas mãos, passa a dedicar-se mais ao desenho e ao trabalho gráfico.
1982 – A rainha Elizabeth II inalgura a Henry Moore Sculpture Gallery and Centre for the Study of Sculpture, ligadas à Leeds City Art Gallery.
1983 – Uma grande exposição é realizada no Metropolitan Museum of Art, em Nova York.
1986 – Morre em 31 de agosto em Perry Green, no condado de Hertfordshire, aos 88 anos.

Fonte: 

Teatro Negro de Praga

Teatro Negro de Praga

Teatro Negro

Forma de teatro que se baseia no engano óptico da chamada câmara negra resultante da incapacidade do olho humano de distinguir uma silhueta negra perante um fundo da mesma cor. Desta forma, os objetos manipulados pelas personagens com vestuários escuros adquirem a capacidade de movimentação por si só. As coisas inertes passam a ser agentes ativos do argumento dramático até ao ponto do seu papel ser igualmente importante relativamente ao dos protagonistas de carne e osso.

Falar em teatro negro é falar obrigatoriamente em Praga. Este tipo de teatro pertence inseparavelmente à vida cultural de Praga, representado na sua forma mais fiel pela companhia de teatro Ta Fantastika que se interessou seriamente em recuperar as verdadeiras raízes do teatro negro. Além disso, esta companhia chama a atenção pela beleza plástica que confere a esta arte de representar, sobressaindo pelo cunho original que imprime no seu repertório, baseado, exclusivamente, em clássicos da literatura universal, como Dom Quixote, Alice no País das Maravillhas e, recentemente, As Viagens de Gulliver.
O princípio do teatro negro de Praga é a engenhosa aplicação de um simples e antigo truque: a chamada câmara negra ou gabinete negro, o qual já se conhecia na China Antiga e que desde logo foi aproveitado e utilizado.
Aquilo a que também se poderá chamar de teatro negro é algo já conhecido no tempo dos nossos avós e com o qual se produziam estranhos e espantosos efeitos cénicos e que se baseia na seguinte técnica: num palco totalmente negro o proscénio é iluminado de um lado e do outro criando-se a ilusão que todo o palco estava iluminado quando, de fato, numa grande zona do palco (B) se encontra totalmente na sombra. Alguém, vestido de negro, pode movimentar-se nesta zona, enquanto que outra pessoa ou objeto movimentando-se na zona (A) seria visível.
Partindo deste princípio, facilmente se compreenderá que alguém vestido de negro sem sair da zona (B) poderá manipular objetos que se movimentam na zona de luz (A), utilizando varas ou outros manípulos, sem serem vistos pelos espectadores.
Recentemente desenvolveu-se um outro tipo de teatro negro coincidente, de certa forma, com o anterior, designado «teatro em luz-negra». A técnica consiste na simples utilização das chamadas lâmpadas de luz negra que devido ao seu invólucro negro que absorve a radiação visível, irradiam ultra violetas de longo comprimento de onda já fora de espectro visível. Desta forma, irão criar-se espantosos efeitos.
Atualmente, são em número expressivo as companhias de teatro que se dedicam a este género. No Brasil, mais concretamente no Rio de Janeiro e Salvador, companhias teatrais compostas exclusivamente por afro-brasileiros, propõem a mudança da dramaturgia brasileira, colocando em cena peças de teatro negro.
 
Bibliografia: A.Harold Waters: Black Theater in French, A Guide, 1978
Lindsay Patterson: Black Theater. A 20th Century Collection of the Work of its Best Playwright (1971)
Peter Larlham: Black Theater, dance, and ritual in South Africa, (1985)

Fonte:

17 de junho de 2010

Juan O'Gorman

Engenheiro, arquiteto, pintor e muralista mexicano.




Os videos pertencem ao Canal Once Mexicano, canal cultural pioneiro na América Latina. Série Con los ojos de Juan O’Gorman (1994).