25 de julho de 2010

Arquitetura criativa



Uma dupla de arquitetos japoneses criaram este projeto pra lá de criativo, em Shiga, Japão
Trata-se de uma clínica médica, com 12 entradas para as pessoas e 30 aberturas para a luz.
Esta noção remete à idéia conceitual do edifício: um corredor de luzes e sombras dançando lentamente ao longo de um dia
Refresco de espírito e calor estão presentes aqui, características que normalmente não são vistas em hospitais. 

Me lembram os recortes de H.Matisse.










  • Data Stripes(Comprehensive-medical-care building)
  • Location: Shiga, Japan
  • Structure planning: HOJO STRUCTURE RESEARCH INSTITUTE
  • Photographer: Koichi Torimura

Profetas do Aleijadinho



Entre os anos de 1800 e 1805, sexagenário e bastante enfermo, o artista mineiro Aleijadinho (1730-1814), realiza o conjunto de esculturas monumentais que marcaria definitivamente sua obra. Seu último projeto de vulto, os 12 profetas em pedra-sabão de tamanho quase natural, feitos para o adro dianteiro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas do Campo, em Minas Gerais, são um dos exemplos mais contundentes do desenvolvimento do barroco no Brasil, e talvez a sua última grande manifestação.
O santuário mineiro começa a ser construído como pagamento de uma promessa feita pelo fiel português Feliciano Mendes em 1757. Espelhando-se no Santuário do Bom Jesus de Braga, Mendes, o primeiro ermitão, escolhe o Morro do Maranhão para edificação da nova igreja com o objetivo de transformá-lo em local de devoção à via-sacra de Cristo. Somente em 1796, na administração de Vicente Freire de Andrade, Aleijadinho é chamado a colaborar na obra. Com a assistência de auxiliares, executa até 1799 as 64 figuras em madeira, em tamanho natural, destinadas às seis capelas dos Passos da Paixão. Nesse ano solicitam-lhe as 12 esculturas em pedra-sabão, representando os profetas, destinadas à ornamentação do adro do santuário. Aleijadinho é responsável apenas pela parte escultórica do pátio, sendo o projeto arquitetônico de responsabilidade de Tomás de Maia Brito. Análises técnicas revelam que pela concepção arquitetônica original do adro as estátuas deveriam ter dimensões menores e serem colocadas em posição frontal. Aleijadinho transcende os dados previstos na arquitetura e cria um novo espaço subordinado à movimentação e ao tamanho de suas esculturas.


Profeta Isaías (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini



Profeta Jeremias (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini



Profeta Baruc (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini





Profeta Daniel (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 



Profeta Ezequiel (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 




Profeta Oséias (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini



 
Profeta Jonas (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 




Profeta Joel (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 




Profeta Amós (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 





Profeta Abdias (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 





 Profeta Naum (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 








Profeta Habacuc (Adro da Basílica de Congonhas) , 1800 - 1805
pedra-sabão
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas do Campo, MG)
Reprodução Fotográfica Sérgio Guerini 

O conjunto de 12 profetas de Congonhas do Campo configura-se como uma das séries mais completas, da arte cristã ocidental, representando profetas. Estão presentes os quatro principais profetas do Antigo Testamento - Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, em posição de destaque na ala central da escadaria - e oito profetas menores, escolhidos por um clérigo segundo a importância estabelecida na ordem do cânon bíblico. Nos três planos do átrio, esculturas ordenam seus gestos simetricamente em relação ao eixo principal da composição. Abrindo a representação, estão Jeremias e Isaías de frente e atrás deles, no primeiro patamar, Baruc e Ezequiel. No terraço do adro encontram-se Daniel e Oséias, de perfil. Mais além, Jonas e Joel dão-se as costas e, finalmente, nos ângulos curvilíneos do pátio, Abdias e Habacuc erguem um dos braços, e nas extremidades do arco Amós e Naum apresentam-se de frente. Organizado segundo um jogo de correspondências, os profetas formam um conjunto unitário e ao mesmo tempo diversificado em suas partes, em perfeita organização cenográfica. Apesar da força expressiva de cada peça, é na comunicação estabelecida pela visão do grupo que a eloqüência de cada gesto atinge sua plenitude, como num ato de balé.
Analisadas individualmente, as figuras dos Profetas em Congonhas do Campo apresentam deformações anatômicas ou acabamentos desiguais que indicam a colaboração do ateliê de Aleijadinho. No entanto, a força do conjunto e seu poder de integração superam as avaliações individuais das obras. Sobre a iconografia das imagens, o historiador francês German Bazin aponta uma série de gravuras florentinas anônimas do quattrocento como fonte do artista mineiro. Em suas esculturas encontram-se o mesmo traço goticizante, como os panejamentos quebrados e em ângulos retos, e os elementos exóticos, como os barretes em forma de turbante "à moda turca". No entanto, é preciso ter em vista que a iconografia profética é cunhada na Idade Média, momento em que a representação dos profetas aparece sempre com o filactério (faixa de pergaminho com passagens bíblicas) e com a gesticulação eloqüente e vivaz. A pintura flamenga, em fins da era medieval, introduz os elementos "orientais" nessa iconografia. São comuns profetas com vestimentas exóticas na arte portuguesa entre 1500 e 1800, como é o caso das figuras no Santuário de Braga.
Pelo menos dez dentre os 12 profetas apresentam o mesmo tipo fisionômico jovem de traços elegantes com rostos estreitos, bochechas encovadas e maçãs do rosto salientes, barbas aparadas e longos bigodes.  Apenas Isaías e Naum são envelhecidos e de bardas longas. Também no que diz respeito às vestes, todos trajam túnicas longas ou curtas cobertas com pesados mantos bordados nas bordas - à exceção de Amós, o profeta-pastor que traz manto semelhante aos casacos de pele de carneiro e gorro usado por camponeses da região do Alentejo. A escultura de Daniel com o leão a seus pés destaca-se do grupo. Muitos acreditam que, pela perfeição de seu acabamento, é uma das únicas esculturas inteiramente realizada pelo mestre mineiro.


Fonte: Itaú Cultural


A evolução da Arquitetura


Um pequeno resumo em forma de documentário, mostrando a evolução da Arquitetura.
(em espanhol)









 


Fonte: Arte Historia 

Albrecht Dürer

Albrecht Dürer (21 de maio de 1471, em Nürnberg, Alemanha - 6 de abril de 1528)


 Dürer representa-se frontalmente como uma espécie de Cristo surgido das trevas, em um despojamento monumental, com longas tranças douradas que provocavam o sarcasmo dos venezianos.

Identificação do gênio do artista com o criador divino, profissão de fé no classicismo do Renascimento, monumento idealizado de sua própria glória? Não sabemos.


Enquanto na Itália se desenvolve a fúlgida parábola da Renascença, a Alemanha, entre os séculos XV e XVI, se afigura ainda atrasada, impregnada de mitos, com formas sociais e sobrevivências ideológicas do tipo medieval; mesmo assim, ela aparece perpassada de frêmitos de descontentamento rural e de manifestações de profunda revolta religiosa contra as práticas corruptas e o cepticismo conciliatório, que então se achavam difundidos por todo o mundo cristão pelo opulento papado renascentista.
A Alemanha moderna nasce com a Reforma protestante, que foi, por certo, um fenômeno de componentes complexas; desenvolveu-se ao sabor de várias vicissitudes; e logo desbordou do âmbito geográfico e histórico da Germânia.
A Reforma aparece, ao mesmo tempo, como fruto da renovação renascentista  - através da valorização do homem e de sua consciência individual, com as doutrinas da livre interpretação das Escrituras e a do sacerdócio universal - e como ruptura do Renascimento - pela dramática recusa à serena perspectiva mundana da Itália quatrocentista, reafirmada prioridade das exigências místicas e transcendentes, pelo acento moral e religioso das escolhas oferecidas ao homem e ruptura da unidade cultural da Europa.
Na Reforma se determinaram e se consideraram as características típicas da nação e cultura alemãs (sirva de exemplo a prioridade dos interesses musicais em relação aos das artes figurativas.); e este processo de formação foi acompanhado por um sentido de tensão que deixou sua marca em toda a cultura alemã, até à idade moderna.
No complexo das manifestações artísticas européias do século XVI, a Alemanha ocupou posição eminente, mas de certo modo isolada. Com efeito, se na Itália, França, Flandres e Espanha as experiências artísticas acabaram revelando  um explícito desgaste dos valores autênticos e absolutos da Renascença, em consequência da infiltração de soluções intelectualizadas, divididas pela crítica em correntes maneirística e classicista, enquanto isso, na Alemanha do século XVI, assistimos a uma renovação artística determinada por forças espontâneas, germinadas do antigo tecido realista e popular, alheio a idealizações classicistas e, se assim se pode dizer, orientado para as exigências expressionistas. É no momento da investida da Renascença alemã, permeada de ânsias profundas, de rebeliões contra a magnificiência de Roma e de reservas em face do próprio classicismo quinhentista italiano, idealizador do homem, optando por um retorno a acentos arcaicos, mas sentidos, e a evidências dramáticas, indicadoras de um modo de sentir místico, em sentido heróico.
A tarefa de exprimir em sentido mais lato o espírito da Germânia cabe a Albrecht Dürer (1471 - 1528); é o maior dos artistas alemães: desenhista, xilógrafo, pintor, tratadista, retratista - multiforme na poliedricidade da produção e na profundidade da pesquisa, das dimensões de Leonardo. Ainda jovem, aos quinze anos de idade, depois de haver recebido do pai, ourives, uma primeira educação para o desenho e o buril, em Nuremberg, na escola de Wolgemuth, aprende a conhecer a pintura flamenga. Logo depois, em Golmar, o ateliê de xilografias de Schongauer lhe revela a pesquisa das formas da natureza, como componentes de valores universais. Sua viagem à Itália, em 1494, lhe revela a Renascença Italiana, principalmente nas experiências venezianas de Mantegna e Giovanni Bellini, que o emocionarão, pela ficção espacial tonal.
Em Bolonha Luca Pacioli o fascinará pela pesquisa das proporções do corpo humano, problema por ele retomado durante longos e longos anos, no exame dos seus três "Auto-Retratos" - o de 1493 (Paris, Louvre), com  forma exata e pesquisa sutil dos detalhes, até ao esmiuçamento caligráfico; o de 1498 (Madri, Prado), que o vê empenhado em idealizações renascentistas italianas, mas de cunho heróico, velado de melancolia pensativa; o de 1500, geralmente conhecido pelo título de Ecce Homo (Munique, Pinacoteca), devido a transfiguração, em sentido religioso, da essência humana, dão um fio condutor à investigação de sua evolução espiritual. Uma evolução ao mesmo tempo abstrata e insatisfeita em relação ao humanismo italiano, e que se faz compartilhante da grande hora histórica pela qual, em sentido religioso, passa o seu país. A produção é bastante variada: a medida da espacialidade, de origem mantegniana, domina a pala da Natividade (Munique, Pinacoteca), e a Adoração dos Magos (Florença, Uffizi), respectivamente de 1503 e 1504. A influência teórica de Luca Pacioli é evidente no Adão (Madri, Padro). O senso compositivo italiano, mas tornado mais pesado pelas esquematizações prevalece na Santíssima Trindade (Viena, Museu de História da Arte), não sem lembrar o ambiente romano. As xilografias que, em 15 peças, ele publicou a partir de 1498, dão a medida de sua perícia técnica e de seu poder de transfiguração de ansiedades e angústias, no contraste entre a fé e a razão, na dinâmica do protestantismo. O Cavalheiro, a Morte e o Diabo, uma das peças do Apocalípse, aspira a ser síntese do humano no contraste de aceitação e rebelião. Vastos e sonoros quanto ao colorido, Os Quatro Apóstolos (Munique, Pinacoteca),  são uma expressão de certeza no espírito da Reforma, por via de compacta consistência de diálogo e humana dignidade.
Se Dürer atribui à arte a incumbência de significar o drama do seu momento, todos os outros artistas alemães, até à metade do século XVI, se sentem influenciados por ele.



13 anos (1484)


Tinta sobre papel. 20 anos (1491)


Autorretrato com um galho de alcachofra-brava.
Museu do Louvre. 22 anos (1493).


Seu autorretrato mais conhecido e talvez uma de suas obras mais famosas.
Museu do Prado. 27 anos (1498).
Firme e intenso, com traços quase recrudescidos, Dürer olha para nós, de seu autorretrato.



Autorretrato de 1500, 29 anos.


Autorretrato nu. 33 anos (1504)


 "A Virgem da Festa da Rosa". Tinha 35 anos (1506)


Autorretrato assinalando uma costela. 50 anos (1521).


Homem com dor. Seu último autorretrato. 
Tinha então 51 anos (1522).


O Cavalheiro, a Morte e o Diabo -Xilografia


 Mãos em Oração


Bibliografia consultada:  Pischel, Gina - História Universal da Arte - vol.2

24 de julho de 2010

Caroline Appleyard




A britânica Caroline Appleyard é provavelmente a única pintora submarina do mundo.

Veja como trabalha esta pintora subaquática neste vídeo da BBC Mundo.