15 de abril de 2010

El Caminito



El Caminito é a rua mais famosa do bairro La Boca, em Buenos Aires. 
Formado por imigrantes italianos, em maioria, o bairro tem como característica principal as casas construídas com lata. São cortiços, na verdade, feitos com pedaços de navios em que chegaram os italianos no passado, como reza a história.

Revitalizadas com ajuda do governo, algumas casas ganharam cores fortes e identificação em qualquer lugar do mundo. Hoje, o El Caminito se transformou em um museu ao ar livre que conta com a presença de pintores, fotógrafos e escultores expondo seus trabalhados. Há mais três coisas imperdíveis em La Boca: o Museu Histórico de Cera, que fala da história de Buenos Aires através de bonecos de cera; o Museu de Bellas Artes de La Boca, onde há obras do pintor Benito Quinquela Martín; e o Estádio La Bombonera, sede de um dos mais populares times de futebol da Argentina, o Boca Juniors. Um espetáculo de cores, passeio imperdível para quem pretende visitar B.A.
 
























Link das imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12

História do Artesanato



A história do artesanato tem início no mundo com a própria história do homem, pois a necessidade de se produzir bens de utilidades e uso rotineiro, e até mesmo adornos, expressou a capacidade criativa e produtiva como forma de trabalho.
Os primeiros artesãos surgiram no período neolítico (6.000 a.C) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica e a tecer fibras animais e vegetais.
No Brasil, o artesanato também surgiu neste período. Os índios foram os mais antigos artesãos. Eles utilizavam a arte da pintura, usando pigmentos naturais, a cestaria e a cerâmica, sem esquecer a arte plumária como os cocares, tangas e outras peças de vestuário feitos com penas e plumas de aves.

O artesanato pode ser erudito, popular e folclórico, podendo ser manifestado de várias formas como, nas cerâmicas utilitária, funilaria popular, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), fabrico de farinha de mandioca, monjolo de pé de água, engenhocas, instrumentos de música, tintura popular. E também encontram-se nas pinturas e desenhos (primitivos), esculturas, trabalhos em madeiras, pedra guaraná, cera, miolo de pão, massa de açúcar, bijuteria, renda, filé, crochê, papel recortado para enfeite, etc.
O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo e garante o sustento de muitas famílias e comunidades. O artesanato faz parte do folclore e revela usos, costumes, tradições e características de cada região.


A palavra arte pode assumir várias significações na linguagem, falando-se da transformação da matéria bruta pelo homem, ela pode representar uma forma de produção quando se desenvolve na procura do útil; ou uma forma de expressão se se desenvolve na procura do belo. Quando a palavra arte for citada neste texto deve ser entendida tal como nos fala Aristóteles; arte mecânica, técnica, arte de fazer ou simples ofício.
Inicialmente faremos algumas distinções entre a palavras usadas de maneira incorreta:
A primeira distinção que nos ocorre deve-se fazer entre molde, que é forma; e padrão que significa regularidade. Com molde se produzem objetos iguais ou cópias, sem originalidade alguma. Os balaios são padronizados e os adobes são moldados. Não devemos confundir padrão com uniformidade. Embora padronizada, cada peça feita à mão é única, não se confunde com nenhuma outra, nem da mesma espécie, ainda que tenha sido elaborada no mesmo dia e pela mesma pessoa.
O estilo do artesão empresta originalidade a seus objetos, como que a marca pessoal, enquanto o padrão é a marca do grupo. Cada artesão escolhe um estilo, mas não deixa de ser influenciado pelo ambiente (a natureza) em que vive e pelos modos de vida própria da área cultural que pertence.
A escolha do campo de trabalho artesanal do ofício ou especialidade é ditada pelo material adequado a transformação e abundante no lugar. Isso ocorre dos recursos naturais.
Os índios da Ilha de Marajó foram nossos melhores ceramistas, naturalmente porque dispunham de boa argila e no entanto não conheciam a pedra. Ao contrário dos índios da região do Amapá, Sacia do Rio Oiapoque foram grandes artesãos de objetos líticos pois estes dispunham de pedra e não de argila.
A aprendizagem de trabalho artesanal é adquirida de maneira prática e formal, ele se da nas oficinas ou na vivencia do indivíduo com o meio artesanal onde o aprendiz maneja a matéria-prima e as ferramentas e imita os mais entendidos no ofício de sua preferência. É comum o artesão servir-se de pequenas ferramentas, que na maior parte das vezes é desenvolvida por ele mesmo devido a necessidade de seu trabalho que o obriga a pensar e desenvolver. Emprega-se no artesanato o material disponível, gratuito ou de baixo preço. No artesanato indígena ou no folclórico esse material é normalmente extraído do local, mas não deixa de ser artesanato a produção de objetos com o aproveitamento de retalhos de papel, panos, fios de arame, de linha etc. A atividade artesanal esta ligada aos recursos naturais do estilo de vida e do grau de comércio com comunidades vizinhas sendo o artesanato uma manifestação da vida comunitária, o trabalho se orienta no sentido de produzir objetos de uso mais comum no lugar, seja em função utilitária, lúdica, decorativa ou religiosa. Não podemos falar em artesanato somente com o objetivo comercial, pois ele pode ser produzido para consumo próprio ou mesmo doação sem perder sua característica artesanal.
É comum confundirmos artesanato com rusticidade mas é importante observar que neste regime de trabalho fazem-se tantos objetos rústicos como bem acabados, pois o artesanato se define pelo processo de produção de objetos e não pelas qualidades práticas que pode ser emprestada a este no ato de fazer.


 Artesão

Artesão

Artesão é a pessoa que faz a mão objetos de uso freqüente na comunidade. Seu aparecimento foi resultado de pressão da necessidade sobre a inteligência aliada ao poder de inovar, possibilitando também ligar o passado ao presente, mediante a linguagem; possibilitou as gerações mais novas receber das mais velhas, suas técnicas e demais experiências acumuladas.

Perspectiva histórica do artesanato

O regime de trabalho que reúne as diferentes técnicas manuais de produção só recentemente ganhou nome, embora história assinala a presença de objetos feitos a mão em todas as épocas e nas mais variadas culturas. A atividade artesanal é muito antiga, há pelo menos meio milhão de anos o homem de Pequim conhecia e já fazia uso do fogo e sabia fabricar instrumentos de quartzo e de grés.
No Brasil em seus primeiros anos de colonização foram instaladas oficinas artesanais que se espalharam por todas as comunidades urbanas e rurais, onde os artesãos tiveram ensejo de desenvolver suas habilidades. Mas através da Carta Régia de 30 de julho de 1766 D. José I manda destruir as oficinas de ourives e declara fora da lei a profissão. Sei exemplo foi seguido por sua sucessora no trono D. Maria I, que perseguiu quase todas as formas artesanais do Brasil. Aos alvarás da Rainha Maria I, seguem-se o de 5 de janeiro de 1785 e o de 26 de janeiro do mesmo ano que proibiam a tecelagem caseira na colônia, abrindo apenas exceção para a tecelagem de panos grossos e que fossem destinados a vestir escravos. Esta situação só se reverteu com a carta régia do Príncipe Dom João de 1º de abril de 1808, que anulava alvarás proibidos de sua mãe e autorizava a atividade industrial caseira fosse ela qual fosse.
D. Pedro I, na constituição autorgada de 25 de março de 1824 aboliu as corporações de ofício no Brasil, seguindo assim o exemplo francês embora atrasado.
A carta da República de 14 de fevereiro de 1891 como a de 16 de julho de 1934 omitiam-se completamente, ignorando o artesanato. Mas a Constituição de Getúlio Vargas de 10 de novembro de 1937 amparou-o no seu artigo 136. "O trabalho manual tem direito à proteção e solitudes especiais do Estado". As cartas que se seguiram silenciaram-se com relação ao artesão. As únicas referencias proíbem diferença entre o trabalho manual e técnico ou cientifico, em parágrafo único nº XVII art. 157 da de 18 de setembro de 1946 e em o nº XVIII do artigo 158 da Constituição Castelana de 24 de janeiro 1966. Países mais adiantados não se omitem em relação ao artesanato e protegem sua industria caseira e reconhecem sua elevada importância econômica e social. 



 Cestaria indígena brasileira


 Cocar Kaapor - 
com penas de japu, arara vermelha, e mutum.
Maranhão

Bolsa trançada com tala de arumã - Waurá/Alto Xingu - MT


O conceito de artesanato

Inicialmente o que caracteriza o artesanato é a transformação da matéria-prima em objetos úteis, quem realiza esta atividade denomina-se artesão, este reproduz objetos que chegaram até ele através da tradição familiar ou cria novos de acordo com suas necessidades.
Para evidenciar melhor este conceito vamos definir o que não é artesanato.
A industria têxtil ou manufatureira não se encaixa neste conceito pois há o predomínio da máquina ® e a fábrica, ali se produz tecidos, afinetos, aparelhos eletrodomésticos, muitos objetos etc, quem trabalha neste local denomina-se operário.
Artes puras ou desinteressadas, em que se produzem bens artísticos em estúdios ou ateliês. Os profissionais normalmente possuem elevados sentimentos estéticos e formação erudita. Estes denominam-se artistas.
Artes industriais ou ofícios - o lugar de trabalho é a oficina e os obreiros são artífices. A produção é mais ou menos organizada, e decompõe-se em várias fases ou operações elementares a que se costuma chamar de diversão do trabalho. Os objetos resultantes é criações de muitos, elas são produzidas em série embora não sejam obtidas em molde.
Industria popular ou caseira, onde a matéria prima sofre transformação a fim de se transformar em bem econômico, exemplo: fubá, polvilho, cachaça, sabão etc.

Outras características do artesanato
Como sistema de trabalho que engloba os diversos processos de artesão, o artesanato assinala um avanço cultural e só apareceu como conseqüência da divisão de campo ocupacional no período histórico em que a precisão de meios de subsistência e os hábitos de vida em sociedade passaram a exigir maior produção de bens.
Sendo o artesanato uma manifestação de vida comunitária, o trabalho se orienta no sentido de produzir objetos de uso mais comum no lugar, seja em função utilitária, côo lúdica, decorativa ou religiosa.


Artesanato do Ceará
Viçosa do Ceará
Utencílios indígenas de barro - Mestre Francisca Rodrigues Ramos do Nascimento
Artesanato do Ceará
Juazeiro do Norte
Trabalho do artesão Manoel Graciliano Cardoso dos Santos
 



 Atesanato em barro realizado pelos seguidores de mestre Vitalino
 

O artesanato é um sistema de trabalho do povo, se bem que pode ser encontrado em todas as camadas sociais e níveis culturais. Podendo ser denominado artesanato indígena, ou primitivo, folclórico ou semi-erudito, requintado.
O artesanato é pratico, sendo informal sua aprendizagem. O que o artesão faz, cria-o ele próprio ou aprender na tenda artesanal da família ou do vizinho, observando como este fazia, pela vivencia e pela imitação, vendo-o trabalhar. Não se receber aulas teóricas; aprende-se a faze, fazendo; pratica-se porque quer; age-se voluntariamente. Vai daí o acentuado cunho pessoal do trabalho artesanal, apesar da vulgaridade da maioria das peças produzidas nesse sistema.




 Matrioscaz - artesanato Russo

Importância do artesanato

No processo evolutivo da raça humana, a atividade econômica deve ser examinada como etapa inicial. Sem trabalho, o homem não avança sequer um palmo na via esplendida do progresso. E foram as mãos que abriram o caminho para a longa e vitoriosa jornada que inda prossegue.
Desde tempos remotos, conforme vimos, o homem inventou e fez instrumentos, e descobriu processos que lhe aumentaram a eficácia da ação produtiva. À soma de tais possessos acreditamos poder chamar artesanato, embora nascente, porque, àquela época, eram as técnicas reduzidas em número e bastante elementares.
Além dessa sua importância histórica, o artesanato abrange outros valores, os quais hoje o tornam reconhecido, universalmente. Os povos mais desenvolvidos do mundo criam instituições destinadas ao seu incremento e o realizam mediante exposições periódicas e feiras anuais de objetos de arte popular, com distribuição de prêmios aos primeiros artesãos colocados, levantamentos de mapas artesanais, amparo comercial e outras medidas inteligentes.
Esse interesse fora do comum pelos trabalhos manuais se explica, provavelmente,com o receio às conseqüências do avanço tecnológico.


Loja de artesanato urbano - Porto - Portugal


Vestuario artesanal fechado manualmente com crochet e bordado a mão.


 Entalhe em madeira - Ouro Preto/MG
 Artesanto Peruano - Cocar
 Guirlanda de bonecas das preocupações - artesanato da Guatemala

Examinaremos agora o artesanato sob alguns pontos de vista:

Social

Possibilitando ao artesão melhores condições de vida e atuando contra o desemprego, o artesanato pode ser considerado elemento de equilíbrio no país e fator de coesão, de paz social. Conforme se sabe, este sistema de trabalho conta com a participação ativa da família. O lar, então, além de centro de vida é também núcleo de aprendizagem profissional. Outrossim, o mestre-artesão desempenha um papel relevante na comunidade e sua arte é fator de prestígio.

Artístico

O artesanato desperta as aptidões latentes do obreiro e aprimora-lhe o intelecto. Suas mãos, obedientes a impulsos mentais e inteligentes, deslocam a matéria-bruta, grosseira e passiva, e convertem-na com o calor de sua imaginação em coisa útil e por vezes bela. É a idéia que deseja a forma. Vale reprisar que o povo não faz arte desinteressada ou arte pela arte, mas, não raramente, sobre ser utilitária, suas peças são bem acabadas, produzidas com esmero e revelam bom-gosto. Se o artesão, além de habilidade manual, possuir talento e sensibilidade, aí então ele vira artista. Desse modo, sua experiência artesanal seria apenas uma fase de formação artística.

Pedagógico

Isto quer dizer que os trabalhos manuais são de grande valor para a criança em idade escolar, principalmente os de carpintaria, modelagem e papel recortado. Doutra parte, considera-se o artesanato como excelente meio para a educação de certos, que, se bem orientados nesse plano, podem adquirir habilidade prodigiosa e se realizarem na vida, plenamente.

Moral

O artesanato pode dar causa ao aperfeiçoamento espiritual e moral do artesão, sendo certo que o trabalho afasta a pessoa dos vícios e da delinqüência, Daí o provérbio "cabeça de desocupado é tenda de satanás", cuja sabedoria e exatidão certamente não se põem em dúvida.

Terapêutico

O artesanato abranda o temperamento hostil ou agitado de pessoas que sofrem desvios de personalidade, as quais poderão corrigir suas aberrações através da ocupação manual. Se, por exemplo, um tipo psicológico agressivo deseja fazer mal a alguém, ele o realiza — digamos no barro, e então se satisfaz, por transferência, assim se liberta do incômodo, livra-se de seu estado de tensão e obtém o equilíbrio intrapsíquico ou paz interior. Esse trabalho se recomenda ainda a certos enfermos que são obrigados a permanecer no leito durante muito tempo, embora tenham válidas as mãos e possam produzir certos objetos que exigem mais habilidade e paciência do que esforço físico.

Cultural

O artesão imprime traços de sua cultura nos objetos que produz, consciente ou inconscientemente. Muitas de suas tradições, como símbolos mágicos e crenças, ficam marcadas em suas peças.

A proteção ao artesanato

O progresso tecnológico refletiu mal sobre o artesanato, desestimulando-o. Para competir com a fábrica, o artesão começou, então, a produzir objetos sem aquele esmero e acabamento que valorizam tanto sua obra. A esse fator negativo, juntam-se a falta de incentivos , caracterizada principalmente pela injustiça da Lei, que protege o salariado e olvida o artesão; o xenofilismo ou exagerada preferência pelo artigo importado, desprezando-se o que é nosso, genuíno; a influencia da moda, que se opõe às formas tradicionais e conseqüentemente ao artesanato; e o intermediário, que,dentre os inconvenientes aqui enunciados seja, talvez, o mais nefasto.
Deve-se enfrentar o império da máquina, absorvente e monopolizadora, que substituiu o homem e o torna mero auxiliar dela, como também ess’outros motivos de desanimo do artesão, cujo estado se nos afigura como que a soma e a mistura de todas as causas de desprestígio ou mesmo de decadência do artesanato. Assinale-se, nessa luta pelo incremento artesanal, que a peça feita a mão valoriza o homem porque ela é resultado de sua própria criação e habilidade, ela contém parte de si mesmo — não é cópia. E ainda que, do ponto de vista comercial, sua venda se faça abaixo do justo preço, a moeda que advir dessa troca vai contribuir par ao orçamento doméstico e par ao aumento do nível de vida, pois tal peça se produz, em geral, nas oras de folga, como atividade subsidiária ou recreativa.
Nas condições primitivas em que se acha nas mais vezes, o regime de trabalho manual necessita de um estímulo vigoroso e pertinaz para se desenvolver, sendo que isto só se conseguirá mediante uma ação de Governo. Daí por diante é possível seu incremento natural, conforme se pode testemunhar com os resultados que se observam na Europa e na Ásia. De fato, países evoluídos daqueles continentes cedo percebem a conveniência em fomentar sua industria popular e seu artesanato, vale dizer aumentar as ocupações lucrativas. Abriram-se, então, instituições oficiais e particulares, que significaram o término de graves crises sociais e a elevação socioeconômica do povo, que passou a viver sem a angústia de pressões financeiras.
Não convém é que essa ajuda se faça de maneira ostensiva, mas cautelosa e pacificamente. A proteção deve limitar-se, traduzida em gráfico, a uma faixa cujos bordos se denominam intervenção e liberdade. Nem intervencionista nem liberalista. Aqui seria pecar pelo abandono, pelo laissez-faire, por deixar o artesão fazer o que quer, agir como criança ou como se vivesse na era lítica, com desperdício de esforço e tempo. O outro extremo se identificaria com o constrangimento do artesão e sua total submissão a esquemas rígidos ou formais, desnaturando-lhe o fluxo criador e sua puras manifestações de cultura popular e tradicional.
Desse modo, qualquer plano de proteção ao artesanato deve preceder-se de estudos bem dirigidos e deve ser elaborado com a convicção plena dos bons resultados que serão obtidos e segundo os objetivos a que se tem em vista alcançar. Primeiro, toma-se consciência do problema artesanal; em seguida, assume-se a posição mais adequada à realidade; afinal, é necessário agir, com o fim de cristalizar as idéias.
A proteção ao artesanato se esquematiza de modo que produza efeitos a longo prazo e a curto prazo.
O plano de proteção a longo prazo abrange a pesquisa, o ensino técnico-artesanal e a expansão turística.
A pesquisa se destina ao conhecimento da realidade artesanal, recursos naturais disponíveis em cada região e mercado consumidor. A realidade a que nos referimos nesta epígrafe se relaciona com as formas usuais e suas características, com os processos empregados na produção de objetos úteis e com as condições sociais de trabalho. A pesquisa é que vai indicar o ramo artesanal adequado ao lugar, tendo em vista, naturalmente, os fatores de natureza ecológica. 

Fontes: 
www.eba.ufmg.br

14 de abril de 2010

Joana Vasconcelos


Joana Vasconcelos é provavelmente a artista contemporânea portuguesa mais conhecida nos dias atuais. Nome significativo da sua geração, Joana tem um estilo próprio para se expressar,usa materiais diversos do cotidiano e cria formas que nos são simultaneamente estranhas e familiares.
As suas peças são bastante conhecidas, mas vale a pena recordar as mais emblemáticas:

"Noiva" é uma enorme candelabro composto de tampões OB; as peças "Coração Independente" são réplicas enormes das famosas jóias de Viana do Castelo, compostas por talheres de plástico moldados; "Cinderela" é um sapato gigante composto por panelas; "Contaminação" é um emaranhado de trapos com cores berrantes que se estende em vários metros de comprimento. Famosas são também as suas figuras de porcelana, totalmente cobertas por croché. Sou fã!

 Coração independente 


Cinderela


Contaminação


Noiva



Sr. Vinho


Top Model


Ilha dos Amores

O Site dela é ótimo. Recomendo uma visita.

Escultura - Breve História



 
O que é?


Escultura é uma arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial. Existem várias técnicas de trabalhar os materiais, como a cinzelação, a fundição, a moldagem ou a aglomeração de partículas para a criação de um objeto.


Magia, religião, beleza, desafio, educação, perfeição, realidade, protesto e imaginação. Todas essas palavras conceituaram a arte em algum momento de sua história. A mudança desses conceitos e idéias desde a Pré-história é que irão delinear todo o movimento da arte até os nossos dias. Uma história de constante sobreposição de conceitos e idéias geradoras de imagens.

A ESCULTURA AMULETO
Imagem e realidade para os homens das cavernas não eram conceitos opostos, estabelecia-se assim uma relação mágica com a imagem, ou seja, sem nenhuma intenção decorativa, a arte, em uma época em que esse conceito nem existia, tinha uma função muito específica: a magia. Havia uma correlação entre a realidade e a imagem, portanto os desenhos feitos serviam como garantia de que aquele fato representado se tornaria realidade. Dessa forma a escultura inicia seu percurso na história da arte: a Vênus de Willendorf, uma pequena estatueta representando o corpo feminino com seios enormes e ventre abundantes simbolizava a fertilidade da mulher, uma escultura-amuleto, garantindo com aquela imagem a procriação.

Vênus de Willendorf

O ABRIGO DA ALMA
Os homens resolveram cultivar a terra, organizaram-se em tribos, se desenvolveram economicamente, dividiram-se em classes sociais e formaram um Estado para administrar essa sociedade civilizada. O Egito foi uma das grandes civilizações surgidas na Idade Antiga. A arte para os egípcios girava em torno da figura divina do Faraó e da crença na vida depois da morte. As pirâmides eram construídas para ajudar o faraó em sua volta para os deuses e as múmias eram feitas para preservação do corpo, pois eles acreditavam que a alma precisaria daquele mesmo corpo para continuar vivendo. 
Uma nova função para a escultura: abrigar a alma do Faraó, pois as estátuas produzidas nessa época serviam para substituir o corpo decomposto ou ainda representar os escravos e servos do Faraó que inicialmente eram enterrados vivos nas tumbas. As esculturas eram produzidas de acordo com regras rígidas estabelecidas, onde o que importava não era a beleza, mas a clareza, ou seja, as figuras tinham que ser representadas em seu melhor ângulo. Por esse motivo, grande parte das esculturas egípcias era rígida e estática. 

 Escultura em ardósia pintada, de Miquerinos e sua mulher. 
IV Dinastia (Boston, Museu de Belas Artes)


ÌNDIA
As primeiras esculturas na Índia são atribuídas à civilização do vale do Indo, onde trabalhos em pedra e bronze foram descobertos, sendo uma das mais antigas esculturas do mundo. Mais tarde, com o desenvolvimento do hinduísmo, do budismo, esta região produziu alguns dos mais intricados e elaborados bronzes. Alguns santuários, como o de Ellora, apresentam grandes estátuas esculpidas diretamente na rocha. Durante o século II a.C. no noroeste da Índia, onde hoje é o Paquistão e o Afeganistão, as esculturas começaram a representar passagens da vida e os ensinamentos de Buda. Embora a Índia tivesse uma longa tradição de esculturas religiosas, Buda nunca tinha sido representado na forma humana antes, apenas por símbolos Este fato reflete já uma influencia artística persa e grega na região. A Índia influenciou ainda, através do budismo, boa parte da Ásia, como as existentes na localidade de Angkor, no Camboja.

Imagem de Shiva, em bronze


Busto de nobre. Escultura em terracota do período
da Dinastia Gupta, centro-norte da India, século 5.


CHINA
Artefatos chineses datam do século X a.C., mas alguns períodos selecionados tiveram destaque: Dinastia Zohu (1050-771 a.C.) produziu alguns intrincados vasos em bronze fundido; Dinastia Han (206-220 a.C.) apresentou o espetacular Exército de terracota de Xian, em tamanho natural, defendendo a tumba do imperador; As primeiras esculturas de influencia budista aparecem no período dos Três reinos (século III) ; Dinastia Wei (séculos 5 e 6 ) nos da a escultura dos Gigantes grotescos, reconhecidas por suas qualidades e elegância. O período considerado a idade de ouro da China é a Dinastia Tang, com suas esculturas budistas, algumas monumentais, considerados tesouros da arte mundial.
Após este período a qualidade da escultura chinesa caiu muito. É interessante notar que a arte chinesa não tem nus, como é comum na arte ocidental, à exceção de pequenas estátuas para uso dos médicos tradicionais. Também tem poucos retratos, exceto nos mosteiros, onde eram mais comuns. E nada do que se produziu após a Dinastia Ming (após século XVII) foi reconhecido como bom pelos museus e colecionadores de arte. No século passado, a influência do realismo socialista de origem soviética arruinou o que restava da arte chinesa. Espera-se que o ressurgimento e abertura para o mundo ocidental traga a arte chinesa ao seu lugar de mérito.

Cavalo Selvagem, artefato de Jade da velha Dinastia Ming


Exército de terracota, Guerreiros de Xian ou ainda Exército do imperador Qin, é uma coleção de mais de oito mil figuras de guerreiros e cavalos em terracota, em tamanho natural, encontradas próximas do mausoléu do primeiro imperador da China. Foram descobertas em 1974, próximas de Xian.
Os japoneses faziam muitas estátuas associadas a religião, a maioria sob patrocínio do governo. Notáveis foram as chamadas ‘’haniva’’, esculturas em argila colocadas sobre tumbas, no período ‘’Kofun’’. A imagem em madeira do século IX de ‘’Shakyamuni’’, um Buda histórico é a típica escultura da era ‘’Heian’’, com seu corpo curvado, coberto com um denso drapeado e com uma austera expressão facial. A escola Key criou um novo estilo, mais realista. 



 Imagem de Buda


AMÉRICAS
Existem poucos exemplares de esculturas pré-colombianas no continente americano, entre elas as famosas estátuas da Ilha da Páscoa, algumas esculturas, principalmente em alto-relevo, decorando edificações Maia e Asteca do Peru ao México e algumas peças primitivas em madeira ou argila, geralmente com significado religioso, dos povos nativos de toda América.


Moais 
Gigantescas estátuas de pedra, encontradas pelas encostas da Ilha da Páscoa, no Chile. Construídas por volta de 1300 d.C. pelo povo Rapanui, os moais atingem até 12 metros de altura e algumas pesam até 20 toneladas. A função dos moais ainda é um mistério.

Cerâmica Maia 


Escultura Asteca em pedra


Cabeça colossal sem feições negróides
Tres Zapotes 

Depois que a cidade foi ocupada pelas tropas Olmecas iniciou-se a construção de melhorias e de monumentos. Com efeito Tres Zapotes tornou-se um verdadeiro centro cerimonial Olmeca, sendo ali encontrada a primeira das Cabeças Colossais. Também em Tres Zapotes foi encontrada uma outra Cabeça Colossal tão instigante quanto as demais, mas por outro motivo: suas feições não eram negróides, mas sim mongolóides, o que pode sugerir algum contato com países do Extremo Oriente.

Exemplo de figura baby-face, muito
comum no Planalto Central Mexicano

Por volta do século VI a.C. em diante é possível constatar um aumento muito grande de artefatos Olmecas encontrados na região. Esses artefatos variam desde espelhos de hematita até estatuetas do Deus Jaguar, mas nesta região há uma espantosa incidência de um tipo de estatuetas Olmecas que são, no mínimo, curiosas. As chamadas estatuetas Baby-Face.
Estas estatuetas representam bebês (há controvérsias se representam realmente bebês, totalmente desnudos, mas sem nenhuma marca de definição sexual. O mais intrigante é que os rostos de tais imagens são muito semelhantes às feições características dos povos orientais (se assemelham a homens Chineses).

No restante, só se começou a produzir arte a partir do século XVI, já sob influência do Barroco, com destaque para imagens religiosas em madeira, terracota e pedra macia nos locais de influência católica. Nos países de religião protestante, por sua maior resistência ao uso religioso de imagens, foi mais tardio o aparecimento de artistas, entrando diretamente no Neoclássico por influência da cultura européia. A partir daí, com a facilidade de transporte e comunicações, a arte nas Américas ficou muito semelhante à desenvolvida na Europa.


O MOVIMENTO PERFEITO
A escultura ganha movimento na arte grega, pois em contato com civilização egípcia, os gregos produziram suas imagens a partir do ponto de desenvolvimento no qual eles chegaram. Mas, a Grécia não era constituída de um Estado unificado, era composta de várias cidades-Estado e na religião não havia uma figura tão poderosa como o Faraó. Esses fatores contribuíram para que os gregos produzissem suas esculturas com menos rigidez do que os egípcios. Os gregos passaram a seguir os olhos e não mais as regras. O incentivo à experimentação fez com que a estatuária grega atingisse um alto grau de desenvolvimento. As formas naturais e perfeitas de suas esculturas tinham como função representar seus deuses e adornar seus templos. 


Cópia de Míron: Discóbolo, c. 455 a.C a.C., 
Gliptoteca de Munique


Oficina de Fídias: Dionísio, c. 440 a.C., antigamente no pedimento do Partenon, hoje no Museu Britânico


 Brozes de Riace

Os Bronzes de Riace são estátuas de bronze encontradas no Mar Jônico, que atualmente se encontram no Museu Nacional da magna Grécia, na cidade de Reggio Calabria, no extremo sul da Itália. São duas magnificas obras de arte, datadas por volta do Séc. V aC.; uma delas se atribui ao Fídias, considerado o maior escultor da Grécia Antiga.

A ESCULTURA MILITAR
A Grécia é dominada pelo poderoso Império Romano. Eles se apropriaram do território grego, de seus deuses e de sua arte. Mas, os romanos eram povos mais práticos que os gregos, por esse motivo a escultura sofreu, nas mãos desses poderosos conquistadores, uma nova mudança: no lugar de deuses, imperadores, no lugar das estórias do Olimpo, a escultura representa agora a história dos homens, de seus imperadores e suas conquistas. Uma outra mudança formal observada na escultura romana diz respeito aos seus retratos que passaram a ser mais realistas, menos idealizados e com o interesse voltado mais para a expressão facial, ao contrário dos gregos que se preocupavam mais com os movimentos do corpo.



O DESAPARECIMENTO DA ESCULTURA
Idade Média: um mundo fragmentado por batalhas, invasões e feudos fortificados. Em meio a essa desorganização, a igreja católica era a única identidade institucional existente, exercendo um papel de unificação social. A utilização de imagens foi um dos primeiros problemas a ser enfrentado pela igreja cristã na época de seu surgimento. Como forma de difusão da fé católica a igreja utilizou a arte como instrumento de informação e difusão de suas idéias. Mas, temendo uma associação com as religiões pagãs, as autoridades eclesiásticas raramente autorizavam a produção de esculturas, sendo o mosaico a expressão artística mais utilizada. Com o tempo esses conceitos iniciais foram se modificando e a escultura volta a perfeição, harmonia e a expressividade dos gregos, mas com um novo objetivo: contar a história de cristo. 

O RENASCIMENTO DA ESCULTURA
Com o surgimento das cidades, a intensificação do comércio e a formação das primeiras monarquias nacionais a sociedade feudal entra em declínio, fazendo surgir uma nova classe social : a burguesia. Essa mudança cria uma nova mentalidade em todas as áreas: política, econômica, artística e social. O homem volta seu interesse para si próprio. Passou a explicar o mundo através da razão e da ciência e não mais pela fé. O estudo da anatomia humana era objeto de estudos intensos nos ateliers de artistas consagrados como Andrea del Verrocchio e Michelângelo. Sendo assim, a escultura atinge nessa época seu ápice: perfeição, clareza, equilíbrio e harmonia. 


As principais características da escultura renascentista italiana foram a sua definição como uma das formas de aquisição de conhecimento e como um instrumento de educação ética do público, e a sua preocupação de integrar a oposição entre o interesse pela observação direta da Natureza e os conceitos estéticos idealistas desenvolvidos pelo humanismo. Numa época em que o homem foi colocado no centro do universo, sua representação assumiu também um papel central, com a consequência de fazer florescer os gêneros do nu artístico e do retrato, que desde o fim do Império Romano haviam caído no esquecimento. Também foi retomada a temática mitológica foi estabelecido um corpo de teoria para legitimar e orientar a arte do período, e foi enfatizada a estreita associação entre conhecimento teórico e uma rigorosa disciplina de trabalho prático como a ferramenta indispensável para a criação de uma obra de arte qualificada.

Michelangelo: Cristo redentor, 1519-1520.


Michelangelo: Davi, 1501-1504.


Davi - 1470 -
Andrea del Verrocchio


O BARROCO: A ESCULTURA EM BUSCA DE ALGO NOVO
Trabalhando para a Igreja e para os reis, a classe artística ganha efetivamente respeito e fama. Mas, por volta do século XVI, ocorre uma crise na arte, mudando, mais uma vez, a forma de representação artística. A arte atingiu a perfeição e agora nada mais resta a fazer, a não ser copiar o que já havia sido feito. Foi nessa tentativa de buscar algo além da perfeição que surge um movimento artístico conhecido como Barroco. Cansados da razão, da harmonia e da clareza renascentista, as esculturas produzidas se voltam para a emoção, a imaginação e a tensão. Os gestos harmônicos são substituídos por gestos inesperados e fora do comum. O escultor Bernini e sua obra "O êxtase de Santa Teresa" representam o dinamismo e o movimento dramático da escultura barroca. 


O Êxtase de Santa Teresa 
de Gian Lorenzo Bernini(1598-1680)


 (detalhe)



A ESCULTURA NO SÉCULO XIX
A rapidez do mundo industrializado influenciou toda a arte desse século. Muito mais rápidos, os movimentos artísticos oscilaram entre uma volta à clareza e a razão - com o neoclássico - e uma busca por paixão, violência e movimento por artistas românticos. A descoberta da fotografia libera o artista da incessante busca do real, despertando a criação de formas mais livres de representação. Mas a escultura se encontrava estagnada, voltada unicamente para a produção de monumentos públicos decorativos em estilo acadêmico. Lutando contra todos esses valores passados, surge no cenário artístico um dos primeiros escultores modernos: Rodin. O naturalismo de suas esculturas, feitas a partir de modelos não convencionais como dançarinas e pessoas de sua família, incomodava os críticos da época da mesma forma que os artistas impressionistas. Sua marca registrada foi aliar o virtuosismo técnico ao seu espírito inovador que simplificava, distorcia as imagens produzidas e muitas vezes deixava a marca e textura do próprio material utilizado, ou seja , a pedra. Rodin criava assim um aspecto inacabado em suas obras que instigava a imaginação do observador e mais ainda, modificará toda a forma de pensar da escultura no século XX. 

  Porta do inferno - Auguste Rodin

A ESCULTURA NO SÉCULO XX
A onda anti-realista que acontece na pintura com os movimentos de vanguarda, atinge também a escultura que ganha forma nas obras do escultor romeno Constantini Brancusi. Considerado o maior escultor modernista, Brancusi queria obter com suas imagens o contrário de Michelângelo. Enquanto o escultor renascentista queria revelar as formas que segundo ele estavam presas na pedra, o escultor moderno tinha outro objetivo: dar vida e movimento e ao mesmo tempo preservar as características da pedra. A sua obra "O beijo" de 1907, ilustra bem essa fase que aos poucos foi se modificando. Brancusi produzia cada vez mais com menos detalhes, chegando a total abstração, como é o caso de sua obra "Pássaro no espaço" de 1927. 

 Brancusi - The Kiss


Constantin Brancusi
Sleeping Muse 1909-10
Hirshhorn Museum and Sculpture


Atelier - Brancusi


Depois de simplificada a escultura ganhará movimento no Futurismo. Reflexo da velocidade do mundo industrial, as esculturas de Boccioni ganham "linhas de força" e parecem estar sempre caminhando para frente, sem olhar para a história ou para as imagens estagnadas do passado. As esculturas produzidas no pós-guerra sofrem algumas modificações: trabalham com novos materiais como sucata de metal, novas técnicas como a solda e novas formas como colagens e móbiles. A abstração ainda é dominante, mas com uma carga grande de experimentação. O grande destaque dessa época é o inglês Henry Moore. Seguindo o biomorfismo dos surrealistas, Moore trabalhava suas peças a partir da observação da natureza e de objetos históricos antigos como dos sumérios e pré-colombianos. O americano Alexander Calder vai literalmente colocar movimento na escultura, seus móbiles irão fazer com que a escultura flutue no espaço. Essas tendências abstracionistas também foram a base do Suprematismo e do Construtivismo que pregavam a arte abstrata, geométrica e uso de materiais industriais, conectando arte, ciência e tecnologia. 


Reclining Figure (1951), localizada no exterior do Museu Fitzwilliam,
em Cambridge


Panorama da coleção de Henry More,
na Galeria de arte de Albright-Knox,
É a maior coleção pública dos trabalhos do escultor.


Alexander Calder - "Crinkly avec disc rouge" 
(1973), Stuttgart 


"The Star"  - Alexander Calder

No Brasil, as idéias desses movimentos estão presentes nas neovanguardas dos anos 50 e 60, nos movimentos do Concretismo e do Neoconcretismo. Entre os ícones representativos dessas vanguardas temos Waldemar Cordeiro, Lygia Clark, Amilcar de Castro, Franz Weissman e Ivan Serpa. A arte Concreta surgiu no momento histórico pós-Segunda Guerra Mundial, período identificado pelo otimismo e pela euforia gerados por uma volta a paz. O país passava por um período de grandes promessas de desenvolvimento.
Nesse mesmo período é criado o Masp (1947) e o MAM (1948), em São Paulo e no Rio de Janeiro outro MAM (1949). Seus fundadores estavam interessados pela nova arte abstrata, por isso em 1951, Ciccilio Matarazzo, fundador do MAM de São Paulo, organizou a Primeira Bienal de São Paulo, sob os moldes da Bienal de Veneza. O principal artista a expor na Bienal foi Max Bill, com sua escultura Unidade Tripartida, uma fita de aço contínua em que todos os pontos se unem. Essa obra tornou-se um símbolo da evolução da arte abstrata. 


 Max Bill - "Unidade Tripartida" - 1948/49
Aço inoxidável


"Fita" Franz Weissmann
escultura em aço pintado 1985
Pinacoteca do Estado - Parque da Luz 


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O resultado do crescimento da arte abstrata no Brasil foi marcante e, já no início dos anos 50, surgem em São Paulo e no Rio de Janeiro, movimentos de arte concreta e pós-concreta que resultaram numa arte de alto nível, estabelecendo-se como referência a um dos momentos mais maduros e significativos da arte no país.
O concretismo é a promessa da construção do novo. Prega uma arte democrática, acessível a todos em sua simplicidade e objetividade. Esse movimento acredita também em uma linguagem universal, livre de contextos específicos e de um excesso de subjetividade e emotividade. Mas, essas idéias foram aos poucos sendo contestadas e surgiu no Rio de Janeiro um grupo dissidente. O grupo carioca, criticava o excesso do racionalismo teórico dos paulistas e considerava que a abstração geométrica poderia ter corpo e alma. Esse grupo ficou conhecido também como Neoconcreto. 

AS TÉCNICAS
As primeiras esculturas são predominantemente de pedra, argila e madeira. A técnica inicial da pedra lascada instigou o homem a criar alternativas, ao longo da história, para aperfeiçoar a elaboração de suas peças: num primeiro momento através da abrasão da areia e mais tarde através da criação de peças em cobre, bronze e ferro. Trataremos aqui, brevemente, de algumas das técnicas da escultura. 

MODELAGEM
Na modelagem, as mãos do artista são o principal instrumento e os materiais mais comuns são a argila, a cera e o gesso. A modelagem nesses materiais é muito utilizada como um meio auxiliar do escultor para estudos prévios ou como base para as técnicas do vazado em metal, cimento ou plástico.
Para a modelagem em argila, o material é trabalhado ainda úmido e, dependendo da escala do objeto a ser modelado, pode ser fixado sobre suportes de madeira, arame, borracha, cortiça ou qualquer outro material não absorvente. No caso em que a própria argila é o material final para a realização da escultura, se utilizam as técnicas cerâmicas de cozimento. Essa técnica era utilizada por muitas culturas antigas – tais como a Suméria e a Chinesa – na elaboração de esculturas de Terracota (terra cozida). 

TALHA EM MADEIRA 
Considerada arte menor, a escultura em madeira oferece um desafio maior ao escultor para dar o naturalismo desejado à figuração, devido ao veios e nós da madeira e à precisão que deve ser trabalhada. Com isso, o uso do policromado (técnica de pintura à têmpera sobre base de gesso, aplicada na escultura em madeira) condicionou de forma decisiva a evolução da escultura em madeira. Essa técnica foi muito utilizada no Barroco brasileiro na confecção do imaginário (santos do pau oco). A técnica da talha consiste no desgaste de um tronco de madeira através do uso de instrumentos como o cinzel, serras, foices, machados, isovela e brocas. Geralmente, a madeira é trabalhada a partir de um único tronco que tem seu interior esvaziado para evitar problemas com a umidade. No acabamento final, a peça é lixada e polida. 
LAVRADO EM PEDRA
A técnica, considerada nobre, consiste em desgastar um bloco de pedra com uso de cinzéis, martelos, pontas, bouchardes , puas, furadeiras e abrasivos. Na escultura em pedra os erros são irreparáveis e, para garantir o sucesso da sua confecção, se deve fazer um esboço em argila, gesso ou cera, com posterior maquete, que passará para o bloco de pedra através de um sistema chamado “ponteado”. 

VAZADO EM BRONZE
Nessa técnica, o uso passa a ser industrial e não é mais só a mão do artista que dá origem às formas. É preciso criar moldes e a figura vai nascer do interior do molde, com a fundição do cobre em conjunto com o estanho, o zinco e o aço, em quantidades exatas, para se criar a liga apropriada de bronze. A fluidez dessa liga é o que dará características próprias a cada escultura.
O vazado em bronze, para esculturas tridimensionais pode ser feito de três formas: a fundição à cera perdida, o modelado e a galvanotipia.
A técnica da cera perdida consiste em construir um modelo em cera que é coberto por um molde de argila de uma única peça; depois, a cera é derretida e o espaço é preenchido com o bronze. A partir desse método, conhecido como direto, são realizadas peças maciças de menor porte.
O método indireto consiste em modelar em barro a figura e, a partir daí, criar um molde em gesso dividido em várias peças. O interior do molde em gesso é recoberto por uma fina camada de cera e o vazio preenchido por terra. Após essa etapa, desmonta-se o molde de gesso, que deixa descoberto o modelo de cera para ser retocado. Cobre-se então a peça com a argila – mantendo-se um sistema de canais de coado e respiradouros – que servirá de molde definitivo. O bronze então vertido, substitui a cera. Esse método permite que a peça tenha uma espessura variável e é utilizado na confecção de esculturas de grande porte.
A galvanotipia consiste no depósito de uma fina camada de metal sobre um molde em negativo através da eletrólise que, em linhas gerais, é uma transferência química das partículas de metal para o molde. A operação se efetua dentro de um composto condutor de eletricidade onde são mergulhados 2 condutores – um negativo (o molde que se quer cobrir) e um positivo (uma solução do próprio metal que vai cobrir o molde). 

AS TÉCNICAS ATUAIS
Na arte moderna o objetivo não é mais o naturalismo e, com isso, a escultura ganhou novas formas de expressão, possibilitando a pesquisa de novos materiais e o emprego diferenciado das técnicas tradicionais.
Uma descoberta inovadora foi a aplicação do concreto na escultura – uma mistura de cimento, areia e áridos (pó de pedra ou partículas de granito ou mármore, que proporcionam diferentes texturas ao concreto). O concreto pode ser trabalhado na modelagem ou nos vazados. Na modelagem o processo é semelhante àquele da argila, a diferença é a armação que deve se adequar ao peso e à forma da escultura. Os vazados são realizados com moldes de gesso, madeira ou formas, que recebem a massa homogeneizada e depois são cobertos com sacos molhados até que a peça endureça.
Na escultura em metal a evolução foi marcante após a Revolução Industrial. Os artistas passaram a utilizar diversos tipos de materiais: chapas de ferro, pregos, arames, chapas de aço, lata, latão, alumínio, ferro-velho, tubulações e até automóveis prensados. Tudo isso obriga a utilização de ferramentas industriais – soldagem, maçarico, rebitadoras, brocas elétricas, máquinas para corte e dobradura do metal. O artista pode pintar, disfarçar soldas, polir e oxidar suas peças em metal.
Outros materiais, como os plásticos e a celulose, foram utilizados inicialmente na escultura pelos Construtivistas, a partir da década de 20. Ainda hoje, os materiais plásticos, acrílicos e sintéticos constituem base de pesquisa de muitos artistas contemporâneos, coordenando-os com outros materiais ou simplesmente utilizando-se da sua plasticidade e textura.
A arte contemporânea oferece tal liberdade ao escultor na escolha das técnicas, que a própria técnica se confunde com o objeto artístico: a escultura hoje se utiliza de meios mecânicos, eletromagnéticos, fenômenos naturais e da própria estrutura física do ambiente onde a obra será instalada. 
Afinada com o pós-moderno, a escultura desestetiza o objeto tridimensional e não prioriza o tempo histórico de forma linear, isto é, ela funde presente, passado e futuro numa só obra, após retirar citações e segmentos da história da arte. Deste modo, o artista escultor se vê livre para compor escolhas e procedimentos individuais. De acordo com Peccinini, esta estratégia abrange a utilização de todos e quaisquer meios e materiais, passo decisivo da escultura para uma autonomia e licença ilimitadas. “Neste sentido a subversão da ordem dos materiais em outro sistema de relação revela outras realidades e abre percepções inumeráveis." (PECCININI, Daisy V. M. Os tridimensionais do MAC - segmentos da História da Escultura. IN: Sedução dos Volumes. Catálogo: São Paulo, MAC/USP, 1992, p. 17.)


A escultura é particularmente difícil de definir, sobretudo porque as suas possibilidades poéticas se encontram inerentes e dependentes de valores obscuros e oscilantes entre vários pólos de significado. Apesar da escultura existir como forma sólida e tangível no espaço no seio de um ambiente verdadeiro, apesar de ser definida por via da luz real, a escultura não é uma presença passiva no mundo da ação humana: é capaz de exercer por si uma ação própria.
José Cutileiro


MILLET, Catherine: A Arte Contemporânea. Instituto Piaget. Biblioteca Básica de Ciência e Cultura (1997).
ECO, Humberto: A definição da Arte. Edições 70, Col. Arte e Comunicação (1986).
HAUSER, Arnold: Teorias da arte (cap.VI. As forças em conflito na história das artes: originalidade e convenções). Editorial Presença, Martins Fontes. Biblioteca de Textos Universitários (1978).